- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 21/11/2022
Poema Cora Coralina
"Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; poque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."
Querido aluno(a), a Cora quando escreveu esse poema estava pensando na vida. Peço que você releia o problema e responda:
1) O poema fala sobre o que?
2) Na sua vida escolar, esse poema traz algum conselho para você que é tão jovem?
3) Descreve o seu sentimento sobre esse poema.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 18/10/2022
Prof. Hedilberto Apolinário
O VOTO, o que eu tenho haver com isso?

Observe com atenção a fotografia acima e construa um texto sobre os seus sentimentos em relação a imagens acima.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 05/10/2022
Leia e reflita sobre o poema de Bertolt Brecht.
O analfabeto político
O pior analfabeto é o
analfabeto político. Ele não ouve,
não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe,
da farinha, do aluguel,
do sapato, e do remédio,
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha e
estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que
da sua ignorância política
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto
e lacaio dos exploradores do povo
Vamos pensar…
1. Por que há tantas pessoas que se desinteressam pela política?
2. Qual a importância da consciência política?
3. Reflita sobre esta frase do escritor Lima Barreto: “O Brasil não tem povo, tem público.”
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 15/09/2022

Fonte: Pinterest
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 01/09/2022

Fonte: Pinterest
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 22/08/2022

Fonte: Pinterest
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 01/08/2022

Fonte: Pinterest
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 15/07/2022

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 14/06/2022
A Letrinha i
Oi, eu sou a letrinha i. Quero aqui contar a minha história para que ninguém sofra o tanto que eu sofri na escola.
Vejam todos que eu sou diferente das demais vogais, eu tenho em cima de mim um pontinho. Coisa que as demais vogais não tem. Meu corpinho é fininho e em cima tem um pontinho bem lindinho. Eu ocupo pouco espaço na escrita e tenho um som sempre longo nas palavrinhas em que estou escrita. Eu vim de um lugar chamado de antiga Fenícia, e cresci na Grécia antiga onde me adotaram e me espalharam pelo mundo até eu chegar aqui na sua língua portuguesa.
Enquanto eu crescia as minhas amigas também cresceram. Elas são as vogais a, e, o, u. Todas lindas, mas nenhuma com um pontinho. Assim na minha escola de vogais todas as letrinhas me apontavam. Ficavam pelos cantos dizendo: Olha ela ali, ela tem um pontinho, estranho né, será que ela é uma boa letrinha? E no recreio das letras eu nunca tinha companhia. Ficava naquele vasto pátio sozinha, sem que ninguém se aproximasse de mim. Pois todos comentavam e recomentavam a história do pontinho que tenho. Se olhavam de cima para baixo e de baixo para cima procurando o pontinho. Depois cochichavam, e alguém levantava o dedo em minha direção, e com isso aparecia um sorriso no canto do rosto. E ao ver esses sorrisos eu simplesmente baixava minha cabeça e seguia o caminho em outra direção. Então do meu olho esquerdo a vista se embaçava e ao canto do olho caia uma lágrima à qual sem ter mais o que fazer passava a mão enquanto caminhava lentamente para lugar nenhum.
Ninguém conversava comigo, mas vez por outra eu estava em uma quina de parede da escolha, onde para o norte tinha uma porta e ao leste a parede. E naquele canto específico da escola eu sempre podia escutar conversas, e em um desses dias eu escutei a conversa da letra a com a letra u.
- Oi letra u como vai você?
- Vou bem letra a.
- Você viu hoje aquela letra estranha que tem o pontinho letra u?
- Bem, eu a vi no pátio da escola letra a.
- Aquele pontinho dela me faz sorrir letra u.
- Sei não letra u, é só um pontinho de nada.
Kkkkkkk, é o pontinho mais engraçado que já vi!!!
Escutando essas coisas a letra i resolveu sair do canto onde estava e caminhou em direção as letrinhas a e u. Ao se aproximar de ambas ela viu a cara de espanto da letrinha u e um sorriso que escorria nos lábios da letrinha a. Triste, baixou a cabeça e seguir o seu caminha para direção nenhuma.
Passados dois dias de aulas, e em um recreio como outro qualquer, a letrinha a se aproximou da letrinha i.
- Oi letrinha i!
A letrinha i ficou muito espantada, olhou em todas as direções, inclusive para o céu e para o chão. E sem saber quem estava falando a letrinha i respondeu:
- Oooooiii…
Pensou a letrinha i: nunca que ninguém fala comigo, agora essa letrinha se aproximou e veio me cumprimentar. Será que estou hoje pior do que estava ontem! Assim, passou a mão na cabeça, ajeitando o seu pontinho. Depois passou a mão no rosto para melhorar a cara e olhando para a letrinha u paralisada ela esperou a fala da letrinha u, mas estava meio que preparada para qualquer coisa.
Assim, a letrinha u falou: letrinha i, eu não concordei com o que a letrinha a fez. Sei que você é diferente das demais letrinhas, mas não há nenhuma letrinha igual nesse mundo todo. Temos todas as nossas diferenças e devíamos nos respeitar mais. Também pensei bastante sobre o meu comportamento e sobre o comportamento de todas as letrinhas. Nós te isolamos e te condenamos ao isolamento. É isso mesmo! Nós te deixamos sozinha, apenas por maldade.
A letrinha i ficou assustada e com os olhos bem arregalados. Pensou em mil coisas, mas, não conseguiu formular uma palavrinha sequer. Foi quando dos seus olhos brotou uma água, era a lágrima, que escorriam pelo canto da sua face. Então a letrinha u abraçou a letrinha i.
Naquele momento que era um recreio, todas as demais letrinhas viram o que estava acontecendo. E até sem acreditar, se aproximaram por pura curiosidade para vê com os próprios olhos o que estava se passando em um intervalo de tempo tão curto para quem assiste, e uma eternidade para a letrinha i que muito esperava por um momento como esse.
O entendimento da cena se deu aos pouco, e assim algumas das letrinhas começaram a perceber o quanto elas foram más com a letrinha i. Elas excluíram a pobre letrinha i, elas usaram as diferenças da letrinha i para zombar dela e machucá-la sem nenhum motivo. Fingiram que não tinham diferenças só para maltratar a pobre letrinha i. A letrinha i que é tímida, amável, estudiosa e muito concentrada. Nesse meio tempo começaram a surgir murmúrios das outras letrinhas.
- Letrinha i, me perdoe por ter sido tão má com você. Sei que também sou diferente, sou gordinha e tenho uma perninha do lado direito e ninguém é assim. Mas, para esconder as minhas diferenças eu resolvi mostrar a tua diferença.
- Tudo bem letrinha a, o importante é que a partir de hoje todas nós seremos amigas.
- Letrinha i, eu também quero te pedir desculpas. Eu sou redondinha e tenho um bracinho me cortando e apontando para cima. E nunca falei sobre mim, mas aceitei falar muitas vezes sobre o seu jeito de ser e existir. Perdão mais uma vez!
- Tudo bem letrinha o, eu entendo que a maldade aparece de onde não se sabe e as vezes a gente deixa crescer nas nossas vidas.
- Eu também quero te pedir perdão letrinha i. Eu sou bem parecida com você. Fininha igualzinho a você, só sou um pouco mais abertinha e não tenho ponto. Eu ficava com medo de ser a próximas a ser apontada por todos, e assim não tive coragem de dizer que estávamos erradas em está lhe apontando e pondo apelidos.
- É letrinha e, eu ficava olhando para você. Mas, nunca falei que você parecia comigo porque tinha medo de que você sofresse a mesma coisa ou até mais do que eu sofria sendo apontada e apelidada. Você está perdoada e todas as demais também estão perdoadas.
Daquele recreio em diante, todas as letrinhas brincavam juntas. E descobriram que as diferenças eram normais, e todos podem se amar e se aceitar como são. Sendo que a gente não precisa mudar para se aceitar. A gente às vezes pode até ter pensamentos e ações ruins. Contudo é possível pedir perdão e recomeçar tudo aquilo que a gente estava fazendo de errado.
O perdão é uma coisa maravilhosa. Ele pode encher os olhos com lágrimas de felicidade. Ele pode criar os mais belos e maravilhosos sorrisos e também é capaz de criar e construir as mais belas amizades.
Letrinhas, nenhuma de vocês é igual ou será igual. Mas, todas tem a mesma importância nesse mundo. Você é importante, do jeitinho que você é, sem tirar ponto e sem colocar ponto. Você é única especial e é importante para todos nós.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 30/05/2022

Disponível em: Pinterest
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 19/05/2022
Disponível em: https://www.culturagenial.com/contos-de-fadas-comentados/
A Bela Adormecida
Era uma vez um rei e uma rainha. Dia após dia eles diziam um para o outro: “Oh, se pelo menos pudéssemos ter um filho!” Mas nada acontecia. Um dia, quando a rainha tomava banho, uma rã saiu da água, rastejou para a borda e disse: “Seu desejo será realizado. Antes que se passe um ano, dará à luz a uma filha”. A previsão da rã se realizou e a rainha deu à luz a uma menina muito bonita.
Para comemorar, o rei fez um grande banquete e chamou muitos convidados. Vieram treze feiticeiras do reino, mas, como só haviam doze pratos de ouro, uma feiticeira ficou de fora. Vingativa, a feiticeira que foi deixada de lado decidiu se vingar e praguejou: “Quando a filha do rei fizer quinze anos, espetará o dedo numa agulha e cairá morta!”
Uma das feiticeiras que ouviu a maldição, no entanto, foi a tempo de abrandá-la e disse: “A filha do rei não morrerá, cairá num sono profundo que durará cem anos.”
O rei, tentando proteger a filha, fez desaparecer todas as agulhas do reino, apenas uma restou. Conforme previsto, um belo dia, aos quinze anos, a princesa espetou o dedo na agulha que restava e caiu em sono profundo.
Muitos anos se passaram e uma série de príncipes tentaram resgatar a princesa do sono profundo sem sucesso. Até que um dia, um corajoso príncipe, motivado a reverter o feitiço, foi ao encontro da bela princesa.
Quando finalmente conseguiu entrar no quarto onde a princesa dormia, curvou-se e beijou-a. Justo nessa ocasião, o prazo de cem anos havia se esgotado, tendo ele sido enfim bem-sucedido. Foi dessa forma que a princesa despertou.
O casamento dos dois foi celebrado com muita pomba e os dois apaixonados viveram felizes para sempre.
O clássico conto de fadas da Bela Adormecida está repleto de significado: a figura do pai, por exemplo, está ligada à imagem do protetor, daquele que tenta defender a filha de todo o mal, ainda que essa tarefa se revele impossível.
A feiticeira, por outro lado, personaliza a vingança e o desejo de devolver o mal que fizeram a ela. Como foi esquecida, ela lançou a sua terrível maldição punindo e castigando o rei e a sua bela filha, que era completamente inocente.
A princesa, que é a maior vítima do feitiço, só é salva graças a um valente príncipe. Esse homem não nomeado, destemido, nos lembra que devemos ser resilientes e buscar aquilo que queremos, ainda que muitos outros tenham tentado e fracassado antes de nós.
A protagonista, por sua vez, carrega as características de uma mulher passiva, que está sempre esperando para ser libertada por uma figura masculina. Esse clichê se repete nas várias versões do conto de fada gerando algumas críticas no público contemporâneo.
O amor aqui é lido como o possibilitador da vida nova uma vez que é ele que liberta a bela princesa do seu sono profundo.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 02/05/2022
O Pintinho que nasceu diferente
Meu nome é Belinha, moro em uma casa amarelinha que fica no cantinho de uma colina bem verdinha. Minha linda casinha possui uma cerquinha feita de madeira e arame. Meu pai fez essa casinha com todo amor e carinho, mas para ela ficar assim bem bonitinha precisou da ajuda da minha mãezinha. Nos fundos da minha casa há uma outra casinha, bem menor que a que eu moro. Nessa outra casinha mora O galo Adolfo e a galinha Analu, e mais alguns ovinhos que a galinha estava a chocar.
Passaram-se alguns dias. Choveu, ventou, raiou o sol e eu sempre ia lá atrás vê a Analu. E um belo dia ao chegar e vê a Analu eu escutei um barulho diferente. Tinham piados para todo o lado. Eu só escutava: pio, pio, pio… E não era apenas um piado eram vários, pois bem eu resolvi observar quantos pintinhos a Analu tinha embaixo de se. E assim esperei pacientemente ela se levantar e os pintinhos saírem e voltares debaixo da mãe e assim contei sete pintinhos. Eram todos lindos, excerto um. Esse excerto era o Pintinho Azul. Piava do mesmo jeito dos outros, mas era azul. De cara dele eu não gostei muito, vai que ele tinha alguma doença. Ser azul não era nada normal. E dos outros pintinhos eu posso apenas dizer que um tinha o bico marrom, o outro tinha assas brancas, o outro tinha assas amarelas, um tinha um piado grosso e o outro um piado fino, e o último tinha os pés rosados. Mas, o que eu não gostei era o Pintinho Azul.
Eu, Belinha, nunca gostei desse Pintinho Azul, olha lá ele no meio dos demais. Tem um piado feio, é meio desajeitado e fica se metendo onde não é chamado. Vê só ele tentando pegar uma minhoca do buraco, até que tirou e seus quatro irmãos pegaram dele. Bem feito, vai ser azul. Bicho feio! Não chega perto de mim! Xô, xô, xô!!! Não gosto de azul!
O Pintinho Azul, sempre era posto de lado pelos irmãos. Belinha não o queria próximo e só quem o aceitava era sua mãe. Isso porque mãe é mãe e aceita todos os filhos.
Vejam como era a vida desse Pintinho Azul:
Ao pegar uma minhoca, tinha a comida tirada do bico pelos irmãos. Quando ia comer o milho da ração, era empurrado para trás pelos seus seis irmãos. Quando chegava próximo das pessoas o pintinho era espantado. Se fosse ciscar em uma parte do terreiro, alguns de seus irmãos apareciam o empurravam. Até na hora de tomar água era empurrado. Não podia está em lugar nenhum. Sempre alguém se incomodava porque ele é azul. E a mãe pouco podia fazer, pois a mamãe não está presa a gente todo as horas do dia.
Sofreu calado, e de tanto ser excluído pelos outros. Agora ele mesmo se excluía, deixando a infância e crescendo recluso. Primeiro pelos outros e agora por si só.
Certo dia, o Pintinho Azul encontrou um Urubu. Olhou bem fixamente para ele e disse:
- Você é mais que azul, você é preto! As pessoas não devem gostar de você, porque você é diferente!
O urubu respondeu:
- Todos somos diferentes Pintinho Azul!
O Pintinho olhou outra vez fixamente para o Urubu e disse:
- Explique-se!!!
O Urubu balançou a cabeça. Pensou, pensou e olhando fixamente para o pintinho disse:
- Você tem seis irmãos? Certo!
- Certo!
- Um dos seis irmãos tem o bico marrom, outro tem assas amarelas, outro tem assas brancas, outro tem os pés rosados e outro tem o piado fino e o último o piado grosso. Certo?
- Certo, são esses os meus irmãos!
- Pense comigo pintinho: nenhum dos seis irmãos é igual. Todos tem suas diferenças que os fazem quem eles são. Ninguém é igual, nem por isso são melhores ou piores, somos diferentes.
Assim, o Urubu abril suas grandes assas e sem dar nenhuma justificativa a mais voou em direção ao céu, bem alto que quase sumiu.
O Pintinho Azul ficou com a proza na cabeça, e pensava nela por horas e sempre buscando um motivo pelo qual os outros o isolavam e o maltratavam. E buscou na sua cabeça todas as soluções, até que foi conversar com o seu pai o galo Adolfo.
- Pai, eu quero falar com o Senhor.
- Fale meu querido pintinho.
- É que as pessoas me maltratam por que eu sou Azul.
- Meu filho, parte das minhas penas são azuis. E você é meu filho, por isso tem essas penas azuis.
- Você não tem culpa em ser azul meu querido Pintinho.
- Pai o que eu faço para que as pessoas me aceitem.
O galo tomou folego e disse ao Pintinho:
- Filho, primeiro você se aceita. Você para de ter preconceito com você mesmo e se imponha. Mostra para quem lhe tratar mal que todas os seres vivos são diferentes. E ser azul não importa a ninguém, e que é na diferença que se constrói o mundo. E se eles não lhe aceitarem, imponha a sua presença e o seu jeito de ser e exija respeito.
- Mas Pai, como faço isso?
- Quando alguém disser xô, fique. Quando pegarem a sua comida, pegue de volta. Quando te empurrarem, empurre de volta. Quando não falarem com você, cumprimente. Quando forem deselegantes contigo, seja extremamente educado. Quando disserem que você não é capaz, estude e faça o melhor.
O pintinho olhou para o pai, deixou escorrer uma lágrima no canto do olho e o abraçou. Naquele momento o Pintinho Azul percebeu que era amado e que deveria se amar. E assim saiu da conversa com o pai disposto a mudar de vida.
No primeiro xô que escutou de Belinha, ele chegou mais perto dela e disse:
Você pode não me amar, mas tem que me respeitar. Eu sei que sou Azul, mas todo mundo é diferente e se parece com o pai ou a mãe. A gente é um pouquinho do pai e um bocado da mãe e assim a gente é diferente até dos irmãos da gente e é na diferença que se constrói o mundo e por isso você tem que me respeitar. Nesse instante escorreu uma lágrima do olho esquerdo da menina e com a voz embarrada ela disse: Me desculpe!!!
E depois que o Pintinho Azul se entendeu como único e especial, impondo sua presença no mundo que é de todos a casinha pequenina e a casinha mais pequenina tiveram os habitantes mais felizes de todo o mundo.
Texto do Prof. Hedilberto Apolinário da Silva
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 22/04/2022
A menina que Apontava
Pessoal, a história que eu vou contar aconteceu lá no interior do Ceará. Foi lá onde nasceu Belinha. Uma menina muito linda, de lábios vermelhos e pele branquinha. Ah! E com os cabelos lisos com pontas cacheadas. Uma fofura de criança! Essa menina de seis aninhos é bem observadora. Creio que observar seja da idade que ela se encontra nesse exato momento. Como observa e descreve nos detalhes tudo aquilo que vê.
O pai de Belinha é seu Belo. Homem honrado, cabra do interior. Falo tá falado! Contudo ele adora passear nas praças com a sua filha. Filha única, tesouro de Seu Belo. E quando ele anda com ela pelas ruas ele fica bestinha. Encanto com a sua cria que cresce e chama a atenção de todos onde passa. Mas, a menina Belinha não chama a atenção para se apenas pela beleza ou pela simpatia encabulada que só as crianças têm. Ela chama a atenção porque o dedinho indicador dela não para de apontar.
Seu Belo, certo dia estava a passear pela Praça Tiradentes e o dedo de Belinha sempre aponta, e em seguida Belinha falava com toda a atenção:
-Pai, olha: A estatua daquele homem! Ele foi padre?
- Não Bela! Ele foi um herói da inconfidência.
- Pai, o que é Inconfidência?
- Filha, foi um movimento político que conspirou contra o governo de Portugal que mandava no Brasil.
-Pai, o que é conspirar?
-Bom, conspirar é o mesmo que você secretamente fazer coisas contra alguém. E vamos parar com essa conversa, porque você vai estudar sobre isso na escola quando você for maior.
O passeio continuava e Belinha olhou com aqueles olhinhos brilhantes para o escorrego e perguntou ao Pai se poderia descer o escorrego. Meio relutante, seu Belo olhou o escorrego todo feito de cimento e concreto, olhou para a menina e disse: É pode ser, mas só um pouquinho. E assim a menina correu para o escorrego. Desceu uma vez, desceu duas vezes, desceu e desceu, foram tantas vezes que seu Belo perdeu a conta. E quando o pai a chamou para ir ela pediu mais um tempinho, e o pai chamou de novo e a garota veio em direção ao pai. E apontando com a aquele dedinho lindinho, cheio de dobrinhas disse:
-Pai, quem inventou o escorrego?
-Não sei minha filha.
-Mas Pai, o Senhor é tão grande tem que saber muito!
Espanto, o Pai olhou para um lado, depois olhou para outro e se lembrou dum pouco do Teorema de Pitágoras que tinha aprendido na escola.
-Filha! Não sei quem inventou, mas na antiguidade existiu um homem chamado Pitágoras, que foi filósofo e matemática, tendo estudado os triângulos retângulos. Essa é a forma geométrica do escorrego, e creio que foi um pouco depois daquela época que inventaram o escorrego. Mas não se sabe quem foi.
-Pai, o que é geométrica?
-Bom filha, esse nome vem de Geometria. É uma parte da matemática que estuda as formas dos corpos. É essa ciência que qualifica as coisas como triângulo, retângulo, quadrado, losango, circunferência e muito mais.
Continuaram o passeio e a cada novo encantamento a Bela tecia uma nova pergunta. E o Pai, sempre dando respostas, ora verdadeiras e outrora inventando as respostas para dar a sua filha. Assim temos que dá um desconto a Seu Belo, pois ninguém sabe de todas as coisas. Mas todo Pai merece ser o herói da sua filha.
Agente quando caminha, e se impressiona com as coisas do mundo, temos que ter a coragem de Bela de perguntar. Sempre tem alguém que pode tecer uma resposta ou alguém pode dá uma pista da resposta. É isso mesmo, uma pista da resposta! Essa pista é o caminho que vamos trilhar para nós mesmo procurarmos e construirmos nossas respostas.
Seu Belo vai ser sempre o herói de Bela, mas como todo pai um dia não terá mais respostas para algumas perguntas. Aí, a grande lição será a de investigar as coisas para ter suas próprias respostas. E para isso será fundamental os conhecimentos adquiridos na escola, que Bela já frequenta e brinca muito todos os dias.
Texto do Prof. Hedilberto Apolinário da Silva
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 01/04/2022
Conto: A Bela Adormecida
Era uma vez, há muito tempo, um rei e uma rainha jovens, poderosos e ricos, mas pouco felizes, porque não tinham filhos.
— Se pudéssemos ter um filho! — suspirava o rei.
— E se Deus quisesse, que nascesse uma menina! — animava-se a rainha.
— E por que não gêmeos? — acrescentava o rei.
Mas os filhos não chegavam, e o casal real ficava cada vez mais triste. Não se alegravam nem com os bailes da corte, nem com as caçadas, nem com os gracejos dos bufões, e em todo o castelo reinava uma grande melancolia.
Mas, numa tarde de verão, a rainha foi banhar-se no riacho que passava no fundo do parque real. E, de repente, pulou para fora da água uma rãzinha.
— Majestade, não fique triste, o seu desejo se realizará logo: daqui a um ano a senhora dará à luz uma menina.
E a profecia da rã se concretizou. Alguns meses depois nasceu uma linda menina. O rei, louco de felicidade, chamoua Flor Graciosa e preparou a festa de batizado. Convidou uma multidão de súditos: parentes, amigos, nobres do reino e, como convidadas de honra, as fadas que viviam nos confins do reino: treze. Mas, quando os mensageiros iam saindo com os convites, o camareiro-mor correu até o rei, preocupadíssimo.
— Majestade, as fadas são treze, e nós só temos doze pratos de ouro. O que faremos? A fada que tiver de comer no prato de prata, como os outros convidados, poderá se ofender. E uma fada ofendida...
O rei refletiu longamente e decidiu:
— Não convidaremos a décima terceira fada — disse, resoluto. — Talvez nem saiba que nasceu a nossa filha e que daremos uma festa. Assim, não teremos complicações.
Partiram somente doze mensageiros, com convites pare doze fadas, conforme o rei resolvera.
No dia da festa, cada uma delas chegou perto do berço em que dormia Flor Graciosa e ofereceu à recém-nascida um presente maravilhoso.
— Será a mais bela moça do reino — disse a primeira fada, debruçando-se sobre o berço.
— E a de caráter mais justo — acrescentou a segunda.
— Terá riquezas a perder de vista — proclamou a terceira.
— Ninguém terá o coração mais caridoso que o seu — afirmou a quarta.
— A sua inteligência brilhará como um sol — comentou a quinta.
Onze fadas já tinham desfilado em frente ao berço; faltava somente uma (entretida em tirar uma mancha do vestido, no qual um garçom desajeitado tinha virado uma taça de sorvete) quando chegou a décima terceira, aquela que não tinha sido convidada por falta de pratos de ouro.
Estava com a expressão muito sombria e ameaçadora, terrivelmente ofendida por ter sido excluída. Lançou um olhar maldoso para Flor Graciosa, que dormia tranqüila, e disse em voz baixíssima:
— Aos quinze anos a princesa vai se ferir com o fuso de uma roca e morrerá.
E foi embora, deixando um silêncio desanimador. Então aproximou-se a décima segunda fada, que devia ainda oferecer seu presente.
— Não posso cancelar a maldição que agora atingiu a princesa. Tenho poderes só para modificá-la um pouco. Por isso, a Flor Graciosa não morrerá; dormirá por cem anos, ate a chegada de um príncipe que a acordará com um beijo. Passados os primeiros momentos de espanto e temor, o rei, considerada a necessidade de tomar providências, instituiu uma lei severa: todos os instrumentos de fiação existentes no reino deveriam ser destruídos. E, daquele dia em diante, ninguém mais fiava, nem linho, nem algodão, nem lã. Ninguém além da torre do castelo.
Flor Graciosa crescia, e os presentes das fadas, apesar da maldição, estavam dando resultados. Era bonita, boa, gentil e caridosa, os súditos a adoravam.
No dia em que completou quinze anos, o rei e a rainha estavam ausentes, ocupados numa partida de caça. Talvez, quem sabe, em todo esse tempo tivessem até esquecido a profecia da fada malvada.
Flor Graciosa, porém, estava se aborrecendo por estar sozinha e começou a andar pelas salas do castelo. Chegando perto de um portãozinho de ferro que dava acesso à parte de cima de uma velha torre, abriu-o, subiu a longa escada e chegou, enfim, ao quartinho.
Ao lado da janela estava uma velhinha de cabelos brancos, fiando com o fuso uma meada de linho. A garota olhou, maravilhada. Nunca tinha visto um fuso.
— Bom dia, vovozinha.
— Bom dia a você, linda garota.
— O que está fazendo? Que instrumento é esse? Sem levantar os olhos do seu trabalho, a velhinha respondeu com ar bonachão:
— Não está vendo? Estou fiando!
A princesa, fascinada, olhava o fuso que girava rapidamente entre os dedos da velhinha.
— Parece mesmo divertido esse estranho pedaço de madeira que gira assim rápido. Posso experimentá-lo também?
Sem esperar resposta, pegou o fuso. E, naquele instante, cumpriu-se o feitiço. Flor Graciosa furou o dedo e sentiu um grande sono. Deu tempo apenas para deitar-se na cama que havia no aposento, e seus olhos se fecharam.
Na mesma hora, aquele sono estranho se difundiu por todo o palácio.
Adormeceram no trono o rei e a rainha, recémchegados da partida de caça.
Adormeceram os cavalos na estrebaria, as galinhas no galinheiro, os cães no pátio e os pássaros no telhado.
Adormeceu o cozinheiro que assava a carne e o servente que lavava as louças; adormeceram os cavaleiros com as espadas na mão e as damas que enrolavam seus cabelos.
Também o fogo que ardia nos braseiros e nas lareiras parou de queimar, parou também o vento que assobiava na floresta. Nada e ninguém se mexia no palácio, mergulhado em profundo silêncio.
Em volta do castelo surgiu rapidamente uma extensa mata. Tão extensa que, após alguns anos, o castelo ficou oculto. Nem os muros apareciam, nem a ponte levadiça, nem as torres, nem a bandeira hasteada que pendia na torre mais alta.
Nas aldeias vizinhas, passava de pai para filho a história de Flor Graciosa, a bela adormecida que descansava, protegida pelo bosque cerrado. Flor Graciosa, a mais bela, a mais doce das princesas, injustamente castigada por um destino cruel.
Alguns, mais audaciosos, tentaram sem êxito chegar ao castelo. A grande barreira de mato e espinheiros, cerrada e impenetrável, parecia animada por vontade própria: os galhos avançavam para cima dos coitados que tentavam passar: seguravam-nos, arranhavam-nos até fazê-los sangrar, e fechavam as mínimas frestas. Aqueles que tinham sorte conseguiam escapar, voltando em condições lastimáveis, machucados e sangrando. Outros, mais teimosos, sacrificavam a própria vida.
Um dia, chegou nas redondezas um jovem príncipe, bonito e corajoso. Soube pelo bisavô a história da bela adormecida que, desde muitos anos, tantos jovens procuravam em vão alcançar.
— Quero tentar eu também a aventura — disse o príncipe aos habitantes de uma aldeia pouco distante do castelo.
Aconselharam-no a não ir.
— Ninguém nunca conseguiu!
— Outros jovens, fortes e corajosos como você, falharam...
— Alguns morreram entre os espinheiros...
— Desista!
— Eu não tenho medo — afirmou o príncipe. — Eu quero ver Flor Graciosa.
No dia em que o príncipe decidiu satisfazer a sua vontade se completavam justamente os cem anos da festa do batizado e das predições das fadas. Chegara, finalmente, o dia em que a bela adormecida poderia despertar.
Quando o príncipe se encaminhou para o castelo viu que, no lugar das árvores e galhos cheios de espinhos, se estendiam aos milhares, bem espessas, enormes carreiras de flores perfumadas. E mais, aquela mata de flores cheirosas se abriu diante dele, como para encorajá-lo a prosseguir; e voltou a se fechar logo, após sua passagem.
O príncipe chegou em frente ao castelo. A ponte levadiça estava abaixada e dois guardas dormiam ao lado do portão, apoiados nas armas. No pátio havia um grande número de cães, alguns deitados no chão, outros encostados nos cantos; os cavalos que ocupavam as estrebarias dormiam em pé.
Nas grandes salas do castelo reinava um silêncio tão profundo que o príncipe ouvia sua própria respiração, um pouco ofegante, ressoando naquela quietude. A cada passo do príncipe se levantavam nuvens de poeira.
Salões, escadarias, corredores, cozinha... Por toda parte, o mesmo espetáculo: gente que dormia nas mais estranhas posições. E todos exibiam as roupas que haviam sido moda exatamente há cem anos.
O príncipe perambulou por longo tempo no castelo. Enfim, achou o portãozinho de ferro que levava à torre, subiu a escada e chegou ao quartinho em que dormia Flor Graciosa. A princesa estava tão bela, com os cabelos soltos, espalhados nos travesseiros, o rosto rosado e risonho. O príncipe ficou deslumbrado. Logo que se recobrou se inclinou e deu-lhe um beijo.
Imediatamente, Flor Graciosa abriu os olhos e olhou a sua volta, sorrindo:
— Como eu dormi! Agradeço por você ter chegado, meu príncipe.
Na mesma hora em que Flor Graciosa despertava, o castelo todo também acordou. O rei e a rainha correram para trocar os trajes de caça empoeirados, os cavalos na estrebaria relincharam forte, reclamando suas rações de forragem, os cães no pátio começaram a ladrar, os pássaros esvoaçaram, deixando seus esconderijos sob os telhados e voando em direção ao céu.
Acordou também o cozinheiro que assava a carne; o servente, bocejando, continuou lavando as louças, enquanto as damas da corte voltavam a enrolar seus cabelos. Também dois moleques retomaram a briga, voltando a surrar-se com força.
O fogo das lareiras e dos braseiros subiu alto pelas chaminés, e o vento fazia murmurar as folhas das árvores.
Logo, o rei e a rainha correram à procura da filha e, ao encontrá-la, chorando, agradeceram ao príncipe por tê-la despertado do longo sono de cem anos.
O príncipe, então, pediu a mão da linda princesa que, por sua vez, já estava apaixonada pelo seu valente salvador.
Alfabetização 2. Ensino fundamental. 3 Escola pública. I. Abreu, Ana Rosa II. Aratangy, Claudia Rosenberg III. Mingues, Eliane IV. Dias, Marilha Costa V. Durante, Marta VI. Weisz, Telma VII. Fundescola VIII. MEC-SEF. Disponível em <www.dominiopublico.gov.br>
Texto sugerido para o ensino fundamental 21/MARÇO/2022.- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Irmãos Grimm
O PRÍNCIPE-RÃ OU HENRIQUE DE FERRO
Num tempo que já se foi, quando ainda aconteciam encantamentos, viveu um rei que tinha uma porção de filhas, todas linda. A mais nova, então, era linda demais. O próprio sol, embora a visse todos os dias, sempre se deslumbrava, cada vez que iluminava o rosto dela.
O castelo real ficava ao lado de uma floresta sombria na qual, embaixo de uma frondosa tília, havia uma fonte. Em dias de muito calor, a filha mais nova do rei vinha sentar-se ali e, quando se aborrecia, brincava com sua bola de ouro, atirando-a para cima e apanhando-a com as mãos.
Uma vez, brincando assim, a bola de ouro, jogada para o ar, não voltou para as mãos dela. Caiu na relva, rolou para a fonte e desapareceu nas suas águas profundas.
"Adeus, minha bola de ouro!", pensou a princesa. "Nunca mais vou ver você!" E começou a chorar alto. Então, uma voz perguntou:
— Por que chora, a filha mais nova do rei? Suas lágrimas são capazes de derreter até uma pedra! A princesa olhou e viu a cabecinha de uma rã fora da água.
— Foi você que falou, bichinho dos charcos? Estou chorando porque minha bola de ouro caiu na água e sumiu.
— Fique tranqüila e não chore mais. Eu vou buscá-la. Mas o que você me dará em troca?
— Tudo o que você quiser, rãzinha querida. Meus vestidos, minhas jóias, e até mesmo a coroa de ouro que estou usando.
— Vestidos, jóias e coroa de ouro de nada me servem. Mas se você quiser gostar de mim, se me deixar ser sua amiga e companheira de brinquedos, se me deixar sentar ao seu lado à mesa, comer no seu prato de ouro, beber no seu copo, dormir na sua cama e me prometer tudo isso, mergulho agorinha mesmo e lhe trago a bola.
— Claro! Se me trouxer a bola, prometo tudo isso! — respondeu prontamente a princesa, pensando: "Mas que rãzinha boba! Ela que fique na água com suas iguais! Imagine se vou ter uma rã por amiga!".
Satisfeita com a promessa, a rã mergulhou e, depois de alguns minutos, voltou à tona trazendo a bola. Jogou-a na relva, e a princesa, feliz por ter recuperado seu brinquedo predileto, fugiu sem esperar a rã.
— Pare! Pare! — gritou a rã, tentando alcançá-la aos pulos. — Me leve consigo! Não vê que não posso correr tanto?
A princesa, porém, sem querer saber dela, correu para o palácio, fechou a porta e logo esqueceu a pobre rã. Assim, ela foi obrigada a voltar para a fonte.
No dia seguinte, quando o rei, a rainha e as filhas estavam jantando, ouviram um barulho estranho: Plaft!... Plaft!... alguém estava subindo a escadaria de mármore do palácio... O barulho cessou bem em frente à porta, e alguém chamou:
— Abra a porta, filha mais nova do rei!
A princesa foi atender e, quando deu com a rã, tornou a fechar a porta bem depressa e voltou para a mesa. O rei reparou que ela estava vermelhinha e apavorada.
— O que foi, filha? Aí fora está algum gigante, querendo pegar você?
— Não, paizinho... é uma rã horrorosa.
— E o que uma rã pode querer com você?
— Ai, paizinho! Ontem, quando eu brincava com a minha bola de ouro perto da fonte, ela caiu na água e afundou. Então, chorei muito. A rã foi buscar a bola para mim. Mas me fez prometer que, em troca, seríamos amigas e ela viria morar comigo. Eu prometi, porque nunca pensei que uma rã pudesse viver fora da água.
Nesse momento, a rã tornou a bater e cantou:
— Que coisa mais feia é essa, esquecer assim tão depressa a promessa que me fez! Se não quiser me ver morta, abra ligeiro essa porta, a filha mais nova do rei!
O rei olhou a filha severamente.
— O que você prometeu, tem de cumprir — disse — Vá lá e abra a porta!
Ela teve de obedecer. Mal abriu a porta, a rã entrou num pulo, foi direto até a cadeira da princesa e, quando a viu sentada, pediu:
— Me ponha no seu colo!
Vendo que a filha hesitava, o rei zangou-se.
— Faça tudo o que a rã pedir — ordenou. Mal se viu no colo da princesa, a rã pulou para a mesa, dizendo:
— Puxe o seu prato mais para perto para podermos comer juntas.
Assim fez a princesa, mas todos viram que ela estava morrendo de nojo. A rã comia com grande apetite, mas a princesa a cada bocado parecia se sufocar. Terminado o jantar, a rã bocejou dizendo:
— Estou cansada e com sono. Prepare uma cama bem quentinha para nós duas!
Ao ouvir isso, a princesa disparou a chorar. Tinha horror do corpinho gelado e úmido da rã, e não queria dormir com ela de jeito nenhum. Suas lágrimas, porém, só conseguiram aumentar a zanga do rei:
— Quando você precisou, ela te ajudou. Não pode desprezá-la agora!
Não tendo outro remédio, a princesa foi para o quarto carregando a rã, que dizia estar cansada demais para subir a escada. Chegando lá, largou-a no chão e foi se deitar sozinha.
— Que é isso? — reclamou a rã. — Você dorme no macio e eu aqui no chão duro? Me ponha na cama, senão vou me queixar ao rei seu pai!
Ao ouvir isso, a princesa ficou furiosa. Agarrou a rã e atirou-a contra a parede com toda a força, gritando:
— Agora você vai ficar quieta para sempre, rã horrorosa!
E qual não foi o seu susto, ao ver a rã cair e se transformar num príncipe de belos olhos amorosos!
Ele contou-lhe que se havia transformado em rã por artes de uma bruxa, e que ninguém, a não ser a princesa, poderia desencantá-lo. Disse também que no dia seguinte a levaria para o reino dele. Depois, com o consentimento do rei, ficaram noivos.
No outro dia, quando o sol acordou a princesa, a carruagem do príncipe já havia chegado. Era linda! Estava atrelada a oito cavalos brancos, todos eles com plumas brancas na cabeça, presas por correntes de ouro.
Com ela veio Henrique, o fiel criado do príncipe, que quando seu amo foi transformado em rã ficou tão triste, que mandou prender seu coração com três aros de ferro, para que não se despedaçasse de tanta dor. Mas agora, ali estava ele com a carruagem pronta para levar seu amo de volta ao seu reino.
Cheio de alegria, ajudou os noivos a se acomodar na carruagem, depois tomou seu lugar na parte de trás, e deu sinal de partida.
Já haviam percorrido um trecho do caminho, quando o príncipe ouviu um estalo muito próximo, como se alguma coisa se tivesse quebrado na carruagem. Espiou pela janelinha e perguntou:
— O que foi, Henrique? Quebrou alguma coisa na carruagem?
— Não, meu senhor — e ele explicou:
— Tamanha a dor que eu senti quando o senhor virou rã, que, com três aros de ferro, o meu coração eu prendi. Um aro rompeu-se agora, os outros dois, com certeza, vão estalar e romper[1]se assim que chegar a hora!
Duas vezes mais durante a viagem o príncipe ouviu o mesmo estalo. Foram os outros dois aros do coração do fiel Henrique que se romperam, deixando livre sua imensa alegria.
Bibliografia:
Vinte Ficções Breves: Antologia de contos argentinos e brasileiros contemporâneos /organizado por Violeta Weinschelbaum. – Brasília : UNESCO, 2002. 224p. ISBN: 85-87853-61-9 1. Literatura Argentina 2. Contos Argentinos 3. Literatura Brasileira 4. Contos Brasileiros I. UNESCO II. Weinschelbaum, Violeta
Nenhum comentário:
Postar um comentário