EJA





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FERNANDO PESSOA




Tenho tanto sentimento

Que é frequente persuadir-me

De que sou sentimental,

Mas reconheço, ao medir-me,

Que tudo isso é pensamento,

Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,

Uma vida que é vivida

E outra vida que é pensada,

E a única vida que temos

É essa que é dividida

Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira

E qual errada, ninguém

Nos saberá explicar;

E vivemos de maneira

Que a vida que a gente tem

É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa, 18/09/1933




Atividade:
Leia esse poema vagarosamente e após a sua leitura responda:

1) Sobre o que o poema fala?

2) Algo incentivou ou incomodou o autor que o fez escrever sobre?

3) Qual lição esse poema traz a sua vida?




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O sufrágio e o voto no Brasil: direito ou obrigação?





Janiere Portela Leite Paes1



A Constituição Federal vigente em nosso país adota o regime democrático representativo, por meio do qual o povo elege seus representantes, dando-lhes poderes para que atuem em seu nome.

O processo eleitoral, o sistema eleitoral e os direitos políticos dos cidadãos brasileiros sofreram inúmeras transformações, sobretudo no período compreendido entre o Império, a Proclamação da República, até os dias atuais. Os antecedentes históricos do nosso país demonstram que o sufrágio (poder) e o voto (instrumento) percorreram um longo e árduo caminho até chegarem ao atual estágio de efetividade.

A doutrina clássica denomina como sufrágio o poder que se reconhece a determinado número de pessoas (cidadãos) para participar direta ou indiretamente da soberania de um país. Trata-se de um direito público subjetivo inerente ao cidadão que se encontre em pleno gozo de seus direitos políticos.

Já o voto caracteriza-se como exercício do sufrágio, pois é a exteriorização do sufrágio, ou seja, quando o eleitor se dirige à seção eleitoral e exerce o ato de votar, materializado está o sufrágio. Nesse sentido, o voto emerge como verdadeiro instrumento de legitimação para entrega do poder do povo aos seus representantes, tendo em vista que é ato fundamental para concretização efetiva do princípio democrático consagrado pela Constituição Federal.

José Afonso da Silva afirma que “o Direito Constitucional brasileiro respeita o princípio da igualdade do direito de voto, adotando-se a regra de que cada homem vale um voto”, ou seja, cada eleitor tem direito a um voto por eleição e para cada tipo de mandato.

Por conseguinte, destacam-se as principais formas de sufrágio: restrito e universal, de acordo com as restrições impostas pelo Estado como requisito para participação do povo no processo de escolha dos seus representantes.

A rigor, não há sufrágio universal, tendo em vista que, em todas as suas formas de apresentação, comportam-se restrições em maior ou menor grau. Dessa forma, o sufrágio universal pode ser definido como aquele em que a possibilidade de participação do eleitorado não fica restrita às condições econômicas, acadêmicas, profissionais ou étnicas.

O sufrágio é restrito quando o poder de participação fica sujeito unicamente ao preenchimento de determinados requisitos, ensejando, então, a classificação das seguintes modalidades de sufrágio restrito: sufrágio censitário; sufrágio capacitário; sufrágio aristocrático ou racial.

Denomina-se como sufrágio censitário ou pecuniário aquele em que o Estado estabelece a exigência do pagamento de determinados tributos, como também a propriedade de terras, como requisito obrigatório para a participação do processo eleitoral. O sufrágio capacitário apresenta como critério de limitação o grau de instrução de seu titular. Já o sufrágio racial delimita como critério seletivo razões relativas à origem das pessoas. Alguns autores ainda acrescentam como critérios limitativos razões de ordem social e sexual, a exemplo de países que restringem o voto feminino.

Em nosso país, a soberania popular é exercida pelo sufrágio universal, voto direto e secreto, sendo facultativo para os maiores de 16 anos e menores de 18, assim como para os maiores de 70 anos e analfabetos. Contudo, o voto é obrigatório para os eleitores que tenham entre 18 e 70 anos.

Pode-se concluir, portanto, que sufrágio é um direito público subjetivo, ou seja, um direito próprio da condição de cidadão, que inclui tanto o poder de escolha dos representantes quanto a possibilidade de concorrer aos cargos públicos eletivos. Quanto ao voto, embora seja obrigatório para uma determinada faixa da população, representa uma verdadeira conquista política para o povo brasileiro.




1 Graduanda em Direito pela Faculdade Guanambi/BA, técnico judiciário da 64ª ZE/BA.

Disponível em: https://www.tse.jus.br/o-tse/escola-judiciaria-eleitoral/publicacoes/revistas-da-eje/artigos/revista-eletronica-eje-n.-3-ano-3/o-sufragio-e-o-voto-no-brasil-direito-ou-obrigacao

Atividades

Diante dessas informações, vamos fazer um circulo e debater a importância do voto, onde cada homem e cada mulher só tem direito a o seu único voto pessoal e intransferível.


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Leia e reflita sobre o poema de Bertolt Brecht.




O analfabeto político




O pior analfabeto é o

analfabeto político. Ele não ouve,

não fala, nem participa dos

acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,

o preço do feijão, do peixe,

da farinha, do aluguel,

do sapato, e do remédio,

dependem das decisões políticas.

O analfabeto político

é tão burro que se orgulha e

estufa o peito dizendo

que odeia a política.

Não sabe o imbecil que

da sua ignorância política

nasce a prostituta,

o menor abandonado,

e o pior de todos os bandidos

que é o político vigarista,

pilantra, o corrupto

e lacaio dos exploradores do povo







Vamos pensar…




1. Por que há tantas pessoas que se desinteressam pela política?




2. Qual a importância da consciência política?






3. Reflita sobre esta frase do escritor Lima Barreto: “O Brasil não tem povo, tem público.”

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Somos todos convidados a abrir uma mesa redonda e debater esse tema. Sei que por vezes é um tema tenebroso. Mas, devemos nos abrir ao debate que é para poder, através da palavra, por para fora aquilo que nos aflige o coração.

Não há idade certa, não há pessoa imune ou que esteja livre desse caminho desesperado. Todos, nesse exato momento podemos nos dá as mãos e falarmos livremente porque é essa fala livre de preconceitos e recortes que pode abrir um coração para receber a ajuda tão necessária.

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Querido estudante, lendo o texto acima você aprendeu um pouco sobre a água. Deste moto eu peço que você pense um pouquinho:
a) Gelo também é água? O que o torna gelo?
b) A chuva também é feita de água. Como é que a água faz para subir da terra até o céu para depois cair em forma de chuva?




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Pensando sobre preconceito:




Vamos assistir a esse vídeo o professor Paulo Jubilut e depois vamos pesnar um bouco sobre:

a) A cor da pele define o caráter da pessoa?

b) O que é melanina?

c) O ser humano se adaptou ao sol de que modo?

d) Temos mais do que três cor de pele. É certo qualificar uma pessoas pela sua cor de pele, dando para ela apenas trabalhor pesados e penosos?








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Letras

Meu pai não tinha educação
Ainda me lembro era um grande coração
Ganhava a vida com muito suor
E mesmo assim não podia ser pior
Pouco dinheiro pra poder pagar
Todas as contas e despesas do lar
Mas Deus quis vê-lo no chão com as mãos
Levantadas pro céu
Implorando perdão, chorei
E meu pai disse: boa sorte
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse: Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer
E três dias depois de morrer
Meu pai eu queria saber
Mas não botava nem o pé na escola
Mamãe lembrava disso a toda hora
E todo dia antes do sol sair, eu
Trabalhava sem me distrair
Às vezes acho que não vai dar pé
Eu queria fugir
Mas onde eu estiver
Eu sei muito bem o que ele quis dizer
Meu pai eu me lembro
Não me deixa esquecer
Ele disse: Marvin, a vida é pra valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor
E então um dia uma forte chuva veio
E acabou com o trabalho de um ano inteiro
E aos 13 anos de idade
Eu sentia todo o peso do mundo em minhas costas
Eu queria jogar
Mas perdi a aposta
E trabalhava feito um burro nos campos
Só via carne se roubasse um frango
Meu pai cuidava de toda família
Sem perceber seguia a mesma trilha
E toda noite minha mãe orava
Deus! Era em nome da fome que eu roubava
Dez anos passaram
Cresceram meus irmãos
E os anjos levaram minha mãe pelas mãos
Chorei e meu pai disse boa sorte
Com a mão no meu ombro em seu leito de morte
E disse: Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer
Marvin, a vida é pra valer
Eu fiz o meu melhor
E seu destino eu sei de cor
Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer
Marvin, agora é só você
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor
Carnaval, carnaval, carnaval
Eu fico triste quando chega o carnaval
Isso é Luiz Melodia, vamos lá
Fonte: Musixmatch
Compositores: Ronald Dunbar / General N. Johnson / Sergio De Britto Alvares Affonso / José Dos Reis
Letra de Marvin © Gold Forever Music Inc., Gold Forever Music Inc.
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A professora da minha filha




Certo dia estava na praça, sentado e esperando o tempo passar. E o tempo passava, e enquanto ele passava as pessoas se aproximavam de mim. Sentaram algumas senhoras próximas de mim, e começaram a conversar muito e alto. Logo se viu que eram professoras, pois falavam de uma determinada escola, e depois de outra escola. Fazendo narrativas sobre os comportamentos dos alunos, aquilo que elas achavam que era inadequado. Teciam um ideal de aluno que só existir na cabeça delas.

O aluno ideal era lindo, de pele branca e olhos claros. Aquela criança com o sorriso angelical e supersimpática. Além disso essa criança também era super submissa. Isso mesmo, a submissão era uma qualidade muito apreciada para aquela criança perfeito. Quando a professora diz: sente, ela senta. E quando a professora diz: fale, ela fala. E assim essa criança obedece cada um dos comandos da professora. E o mais importante, essa criança nunca fez uma queixa sequer a essa professora.

Elas falavam e falavam, e chegava mais gente para junto dessas professoras. Creio que eram professores também. Assim quando tinha uma quantidade considerável de professores, creio que aproximadamente uns sete. O grupo resolveu pedir um lanche. Assim ligaram e em voz alta saiu a pérola: Pode mandar três tacos de lasanha!

Nunca vi tanto pedigree junto! Cada um que falasse mais alto que tinha títulos e a outra retrucava que tinha mais títulos e disputavam para vê quem realmente tinha mais títulos. E ao observar de uma distância segura, eu fiz uma pequena análise das falas soltas que escutava.

Pérolas:

Me dê um taco!

Nois faz o projeto.

Eu tem mai título que tu.

Voceres devem fazer assim…

No recrei é assim…

Quando volta do recrei…

E vieram chamar eu na sala.

Aqui se confirma que nós aposentados…

Nunca tinha visto uma reunião de professores. Será que todas as reuniões são assim? Penso que quem se dedica em ensinar aos outros têm que ter o mínimo cuidado com um vernáculo adequado em qualquer lugar. Além do vocabulário falado com mais esmero principalmente em público. Tantas coisas grotescas faladas em público que depõem contra os títulos a esses professores atribuídos.

Professor, vossa excelência! Sei que por fezes é proibido errar. Mas, o senhor está na base de toda a sociedade. A sua carreira é aquele que constrói o engenheiro, o cientista, os serviços gerais e também o ladrão. Todos passam por uma escola em algum momento da vida. E levam pedaços de vocês por todo o caminho da vida adulta. Lembra do aluno perfeito, ele não existe. Também não existe o professor perfeito. Veja bem, o que existe é o que está no mundo, e tudo é imperfeito e tudo está funcionando, e as pessoas vão usando o seu livre arbítrio, junto com as oportunidades que tem e constroem suas vidas e isso que agente chama de sociedade.

As oportunidades não são iguais aqui no Brasil. Não existe um padrão de escola que se transpasse por toda a extensão territorial do Brasil. O que existe são escolas boas e escolas ruins. Mas, essa existência é uma referência de que estamos lidando com oportunidades diferentes em cada espaço social diferente.

Uma escola introduzida em uma comunidade onde faltam oportunidades sempre será um desafio. Assim, você professor é o exemplo que marca nos poucos anos de letramento daqueles jovens daquela comunidade difícil. Assim, você tem que ter um vocabulário melhor do que o que os alunos, ou não haverá diferença entre a escola e a comunidade difícil. Além disso você tem que ter uma postura, postura de quem tem respeito pelo outro e por se mesmo. Pois, se você não tiver postura não haverá diferença entre você e o marginal daquela comunidade.

Professor, você é a luz da vida miserável de qualquer comunidade complicada, e nessas comunidades você as vezes é a única luz. Não escola boa, você também é luz. Contudo é mais fácil ser luz em uma escola boa. Difícil é conquistar quem não vê esperança na educação. É isso mesmo, difícil é conquistar quem mais precisa de educação. E a sua postura e modo do agir é fundamental.

Creio que todos podem discutir nas ruas. Falar o que se pensa e contar as maiores vantagens e divertimentos possíveis. Contudo, mesmo você saindo da escola você continua sendo professor e exemplo para muita gente. Assim sendo as palavras mal colocadas na boca da população em geral não tem importância. Mas, palavras mal colocadas na boca de um professor pesa em uma má impressão que destrói e corrói a imagem de estrelas que a população em geral guardam de você.

Professor, você ilumina os caminhos dos demais porque você é luz. Do aluno mais pobre ao aluno mais rico terá você como um modelo na tênue idade. Isso até que ele possa decidir por se, e mesmo quando puder decidir por si ele intuitivamente ainda lhe carregará dentro de se. Pois o professor se imortaliza em casa pessoa que educa em sua sala de aula ou ao vê ló na praça.

Texto do Prof. Hedilberto Apolinário da Silva



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Conto: COMO OS CÃES

— Não é possível, senhora! — dizia o comendador à esposa — não é possível! — Mas se eu lhe digo que é certo, seu Lucas! — insistia a D. Teresa — pois é mesmo a nossa filha quem m’o disse!

O comendador Lucas, atônito, coçou a cabeça:

— Oh! senhora! mas isso é grave! Então o rapaz já está casado com a menina há dois meses e ainda...

— Ainda nada, seu Lucas, absolutamente nada!

— Valha-me Deus! Enfim, eu bem sei que o rapaz, antes de casar, nunca tinha andado pelo mundo... sempre agarrado às saias da tia... sempre metido pelas igrejas.

— Mas — que diabo! — como é que, em dois meses, ainda o instinto não lhe deu aquilo que a experiência já lhe devia ter dado?! Enfim, vou eu mesmo falar-lhe! Valha-me Deus!

E, nessa mesma noite, o comendador, depois do jantar, chamou à fala o genro, um moço louro e bonito, dono de uns olhos cândidos...

— Então, como é isso, rapaz? tu não gostas de tua mulher?

— Como não gosto? Mas gosto muito!

— Tá tá tá... Vem cá! que é que tu lhe tens feito, nestes dous meses?

— Mas... tenho feito tudo! converso com ela, beijo-a, trago-lhe frutas, levo-a ao teatro... tenho feito tudo...

— Não é isto, rapaz, não é somente isso! o casamento é mais que alguma cousa! tu tens de fazer o que todos fazem, caramba!

— Mas... não entendo...

— O´ homem! tu precisas... ser marido de tua mulher!

— ... não compreendo...

— Valha-me Deus! tu não vês como os cães fazem na rua?

— Como os cães? ... como os cães?... sim... parece-me que sim...

— Pois, então? Faze como os cães, pedaço de moleirão, faze como os cães! E não te digo mais nada! Faze como os cães...!

— E, ao deitar-se, o comendador disse à esposa, com um risinho brejeiro:

— Parece que o rapaz compreendeu, senhora! e agora é que a menina vai ver o bom e o bonito...

Uma semana depois, a Rosinha, muito corada, está diante do pai, que a interroga. O comendador tem os olhos esbugalhados de espanto:

— Que, rapariga? pois então, o mesmo?

— O mesmo... ah! é verdade! houve uma coisa que até me espantou... ia-me esquecendo... houve uma cousa... esquisita...

— Que foi? que foi? — exclamou o comendador — que foi?... eu logo vi que devia haver alguma cousa!

— Foi uma cousa esquisita... Ele me pediu que ficasse... assim... assim... como um bicho... e...

— E depois? e depois?

— E depois... depois... lambeu-me toda... e...

— ...e?

— ... e dormiu!

Disponível em << www.dominiopublico.gov.br>>, autor Bob (pseudônimo de Olavo Bilac) Ministério da Cultura, Fundação biblioteca Nacional, Departamento Nacional do Livro.



Texto sugerido 21/MARÇO/2022 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Meiguice
Adelina Lopes Vieira




Deram à linda Clarisse
uma gatinha mimosa,
tão branca, tão carinhosa,
tão engraçada, tão mansa
que a encantadora criança
por nome lhe pôs - Meiguice.
Tinha bom leite ao almoço
e biscoito e bolinhos;
dormia em sedas e armarinhos,
e ronronava fagueira
quando sentia a coleira
de fita azul, no pescoço.

Clarisse amava deveras
a bichinha cor de neve
e a gata, nervosa e leve,
adorava a pequenita;
e tinha graça infinita,
estas amigas sinceras!

Veio Raul, o mais louro
e traquinas dos rapazes,
forte e audaz entre os audazes,
fanfarrão e desordeiro;
correu a casa ligeiro
indo encontrar o tesouro,

a doce e branca Meiguice,
deitada comodamente
na cama fofinha e quente
da prima, e gritou: - Que vejo?
um bicho tão malfazejo,
sobre o leito de Clarisse!

E... zás, suspendeu a gata
pela coleira de fita,
atirou a pobrezinha 
ao jardim e, satisfeito,
à primeira o heroico feito
foi contar como bravata.

Debatia-se Meiguice,
no lago fria, transida
a morrer.
O gaticida
sentiu remorso pungente
ao ver o pranto tremente
no olhar azul de Clarisse.

E... correndo, denodado,
deitou-se ao lago profundo,
(dois palmos d'água); do fundo
tirou Meiguice, e ofegante
disse em tom dilacerante:
- Salvei-a!
- Estou perdoado?

Domínio Público, acessado em 28/02/2022:
extension://ieepebpjnkhaiioojkepfniodjmjjihl/data/pdf.js/web/viewer.html?file=http%3A%2F%2Fwww.dominiopublico.gov.br%2Fdownload%2Ftexto%2Fwk000075.pdf

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